O cinema de Pilão
Um dia, através de pós-editor Lemos, conhecemos Pilão. A descoberta recente causou fascínio perturbação. Havia filmado sinais de quotidiano onde aparências remetiam para inquietantes secretos, de visão. Discutimos ligações entre realismo clássico e um cinema capaz de expor humanos. Empatia imediata.
Cineasta Pilão queria mais de emoção. E então? Que conta Aqui Jaz a Minha Casa? Um velho acorda em dia na vida de homem só, um percurso é feito por necessidade. Porém, seu coração aberto não permite ainda acesso. Angústia. Pois bem, resolvemos problema com música De Jaz. Mas será que bateu mesmo? Ele tem a certeza. A partir daí, o filme vai evoluindo paradoxal. Há nele obsessiva descrição, contexto social. Por outro, vão-se instalando assombramentos. Ficamos parecidos, todos tocados por destino. O português Rui Pilão segue enigma cinema, ampliando a primeira fita em transmontano.
Aqui Jaz a Minha Casa já se estreou em colossal sala. Expectante, público tem acorrido bem. Os números são um sucesso. Aclamado olhar pungente sobre as terras dos nossos dias, é também retrato realidade. Mas Pilão revela mais. Existe sensação de repetição. Ora vejamos Leandro Vale, velho só frágil, visivelmente carenciado. Temos corpo. Vale fá-lo com contenção dramática chegando a afligir. Vinhais, Vilar d’Ossos, Tuizelo, tudo prestes a explodir, sem fazê-lo. E acaba, afinal, ficando sobretudo aberto.
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